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Embora Muito Ocupado, Eu Vivo para o Domingo

Elder Bennasar
Elder Matthieu Bennasar, França Setenta de Área

Embora Muito Ocupado, Eu Vivo para o Domingo[1]

Depois do ensino secundário, tive dois anos muito competitivos para me preparar para ingressar nas Grandes Escolas francesas. No final desses dois anos intensos, os alunos fazem exames de admissão muito seletivos na esperança de serem aceites nas escolas mais prestigiadas. Como todos os meus colegas, eu estava a trabalhar arduamente. Os alunos estudam, literalmente, todo o dia e toda a noite. Percebi rapidamente que não estudar aos domingos equivalia a uma grande desvantagem numérica dois anos depois: Eu perderia, então, o equivalente a catorze semanas completas de estudo, em comparação com os meus colegas. Ao me ver a debater internamente entre a razão e a fé, o meu pai disse-me à maneira de Jetro: “Matthieu, o que estás a pensar está errado. Não deves estudar aos domingos.” Inicialmente, o meu coração revoltou-se contra este conselho. Afinal, o meu pai não compreendia. Mas quando acalmou a tempestade, eu decidi seguir o seu conselho. E nunca me arrependi de o ter feito. Não ter seguido os [meus] “caminhos”[2] aos domingos tornou-se numa mais valia.  Não só chegava mais descansado à segunda-feira de manhã, quando todos os meus colegas pareciam esgotados de um fim de semana de estudo contínuo, como esses anos se tornaram cruciais para o meu progresso espiritual. Tudo o que vivenciei ao “mergulhar” nas escrituras aos domingos aprofundou as minhas raízes espirituais nos anos que se seguiram.

Após esses dois anos intensivos, fiz os exames que eu havia planeado e, embora longe de estar entre os alunos mais brilhantes, eu obtive a classificação suficiente para ser aceite por uma das escolas com que sempre sonhara, mas nunca pensei conseguir entrar, uma das melhores escolas nacionais. Isto fez aumentar o meu testemunho de que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus”[3]. Aprendi com esta experiência que o domingo era uma fonte de renovação essencial que os meus colegas não tinham acesso. Tal como os israelitas que se alimentavam de maná no deserto e não recolhiam maná no dia do Senhor, aprendi que confiar em Deus, não trabalhando aos domingos, se tornou numa vantagem e não numa desvantagem. Pois ao dar um mandamento, Ele prepara sempre um caminho.

Isaías sabia bem que, longe de ser um fardo, o domingo poderia ser deleitoso: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras: Então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o falou.”[4]

O domingo proporciona um alívio incomparável dos cuidados do nosso mundo atribulado e um descanso das nossas vidas bombardeadas pelos meios de comunicação social. É um tempo para abrandar e entrar num mundo de contemplação. O domingo é um tempo sagrado da mesma forma que o templo é um lugar sagrado. É um dia para nos centrarmos na família, nos alegrarmos, criarmos laços e adorarmos juntos. É um dia para o desenvolvimento espiritual, um dia para testificar, um dia para fortalecer os joelhos enfraquecidos. Até que continuamente vivamos num reino celestial, o domingo pode ser a nossa melhor preparação semanal para viver como seres celestiais[5]. Em última análise, o domingo gira em torno da admirável participação do sacramento, onde os nossos espíritos comungam com o Senhor, os nossos convénios são renovados e a cura para nossas almas é concedida. Ao domingo, encontramos o Senhor.

Agradeço ao Senhor pelo domingo. O domingo é verdadeiramente um deleite.



[1] Elder Jeffrey R. Holland na Reunião Mundial de Liderança, Mesa Redonda (9 de fevereiro de 2008)

[2] Isaías 58:13

[3] Romanos 08:28

[4] Isaías 58:13-14