Notícias do Mundo - 02. Março 2011 |
Projecto alimentar baseia-se na mandioca, uma raiz comestível.
Com as suas plantações de mandioca dizimadas por uma doença, o mercado mundial de mandioca em recessão e o país ainda a recuperar de uma longa guerra civil, os líderes da Igreja na RD do Congo estavam preocupados com o bem-estar dos seus membros. Os homens, acostumados a trabalhar nos campos, encontravam-se impossibilitados de garantir o seu sustento. Membros de todas as idades estavam a sofrer os efeitos de uma fome e desnutrição severas. Os líderes pediram ajuda à Fundação LDS Charities para salvar a sua colheita mais valiosa, garantir o emprego e a tão necessária nutrição.

Irmãs da Sociedade de Socorro em Luputa, na RD do Congo, descascam a mandioca - uma raiz lenhosa e comestível que se desenvolve mesmo em solos pobres e onde a precipitação é escassa – preparando-a para o processamento na nova fábrica construída pela Fundação LDS Charities.
A mandioca é uma raiz lenhosa e comestível que se desenvolve mesmo em solos pobres e onde a precipitação é escassa. É a 3ª maior fonte de hidratos de carbono a nível mundial e representa um terço das calorias ingeridas pelas populações subsaarianas em África. Por poder ser colhida sempre que necessário, a mandioca é uma fonte de reserva contra a fome; no entanto, esta raiz comestível também está sujeita à acção de fungos, à doença e contém elevadas concentrações de toxinas, nomeadamente de cianeto.
Apesar de todas estas desvantagens, a mandioca manteve-se como o principal produto de exportação da RD do Congo e uma fonte alimentar para 71 milhões de pessoas. Infelizmente, a longa guerra civil e um surto de doença dizimou os campos de mandioca do país. Os mercados mundiais de mandioca, que estão em recessão, são mais uma fonte de preocupação para os empobrecidos agricultores. O efeito daí resultante é a fome e a severa desnutrição.
Trabalhando com os líderes do sacerdócio locais, a LDS Charities desenvolveu um projecto alimentar com estrondosos resultados, que provou ser uma grande bênção para os habitantes das regiões rurais da RD do Congo.
“Em 2006, pesquisámos várias Organizações de Ajuda Humanitária e Universidades da região”, disse Wade Sperry, Director de Operações no Terreno para a Iniciativa Alimentar da LDS Charities.
“Uma delas – a Organização de Ajuda Humanitária da Nigéria designada de IITA – desenvolveu uma variedade de mandioca resistente aos vírus. Eles estavam dispostos a ajudar os nossos líderes locais do Sacerdócio a ensinar os agricultores a produzir esta nova espécie de planta resistente aos vírus e a encontrar novos mercados.”
Um projecto de três anos, para ajudar as famílias a reconstruírem o seu estilo de vida rural, foi aprovado. 500 famílias receberam plantas da nova espécie. Com o envolvimento dos líderes locais da Igreja, as famílias foram ensinadas a preparar os seus campos e a aperfeiçoar os seus métodos pós-colheita.
“Os campos eram preparados à mão” disse Ferren Squires, Director dos Serviços de Produção Agrícola para a LDS Charities. “Sabíamos que com uma lavoura mais profunda e com a utilização de equipamento mecânico seria possível impedir a doença e eliminar o problema.” Felizmente, o Governador da província tinha acabado de adquirir dois tractores para Luputa.
Os membros providenciam com o seu próprio trabalho o processo de processamento, pagando apenas a gasolina utilizada pela máquina de ralar. Ralar e encharcar a mandioca faz com que o seu sabor melhore.
As pessoas também tiveram que aprender novas formas de cultivo, tais como realizar uma irrigação apropriada e espaçar as plantas entre si”, disse o irmão Sperry.
Das 22 novas variedades desenvolvidas pela IITA, 10 foram testadas pelos agricultores no final de 2009. As novas variedades eram resistentes a vírus e a doenças, pobres em cianeto, resistentes à seca, à maturação prematura e permitiam um maior rendimento.
A produção obtida era superior em 50% à obtida com as variedades locais da planta.
A partir da colheita inicial, obtiveram-se 300 mil unidades. Estas foram usadas para plantar 30 hectares adicionais de mandioca, que produziram 900 toneladas de raízes no primeiro ano.
A LDS Charities trabalhou com os líderes locais SUD e a IITA na construção de uma pequena fábrica de processamento. A fábrica incluía uma máquina de trituração, uma prensa, um moinho e dois tanques de demolha para a obtenção de um produto final que pudesse ser armazenado e comercializado.
Considerando que antes os agricultores apenas cortavam, descascavam e secavam a planta, a fábrica veio trazer uma nova forma de lavar, ralar, fermentar e extrair o produto, de modo a reduzir as perdas pela contaminação fúngica e a melhorar o sabor.
O projecto de teste terminou, mas não a história. Os líderes locais do Sacerdócio continuam a gerir os recursos dividindo a terra arável pelos sete Ramos da Igreja no Distrito de Luputa.
As famílias também cultivam a sua própria mandioca, que depois processam em trocam de uma pequena quantia que serve para manter o equipamento operacional. Têm na maioria das vezes farinha suficiente para usar, armazenar e vender com um pequeno lucro nos mercados. Qualquer extra conseguido é usado para ajudar os pobres e necessitados.
“O projecto permite a sustentabilidade na sua melhor forma”, afirmou o irmão Squires.
“Estes agricultores de subsistência melhoraram a sua auto-suficiência através do aumento da produção e da melhoria da comercialização e processamento. Doaram aos necessitados o excedente. É uma grande história de sucesso”.